Experiências sonoras imersivas tem chamado atenção no campo do jornalismo contemporâneo. A proposta dialoga diretamente com as transformações do rádio e do podcast no ambiente digital, em que novas linguagens e tecnologias ampliam as possibilidades de contar histórias. Nesse sentido, a reportagem não apenas informa, mas também explora o potencial estético e sensorial do som como elemento central da comunicação.
A audioreportagem binaural “Tribuzzi: jornalismo em tempos de censura”, vem justamente amparada nesse cenário e propõe uma abordagem inovadora ao utilizar a técnica de áudio binaural para potencializar a narrativa jornalística e sensorial.
Produzido no contexto da pesquisa “Educação e áudio imersivo na dinâmica de aprendizagem” (FAPEMA, 2016-2019), a reportagem é experimento produzido pela bolsista Juliana Viera, do Programa de Bolsas de Iniciação Científica da Universidade Federal do Maranhão (PIBIC-UFMA) em 2018, sob orientação da Profa. Dra. Rose Ferreira do GPECOM. O objetivo da pesquisa foi a reflexão sobre a aplicabilidade do áudio binaural na comunicação e no jornalismo.
O trabalho convida o ouvinte a uma escuta diferenciada, recomendando explicitamente o uso de fones de ouvido para melhor aproveitamento da experiência sonora. Isso porque o áudio binaural simula a audição humana em três dimensões, criando a sensação de presença e espacialidade — como se o ouvinte estivesse inserido na cena narrada.
Ao articular jornalismo e experimentação sonora, a audiorreportagem binaural evidencia como o áudio pode assumir um papel estratégico na construção de narrativas mais envolventes, especialmente em tempos de convergência midiática. A escolha pela abordagem binaural reforça a busca por formatos inovadores que rompem com o modelo tradicional de reportagem, aproximando o público da experiência vivida.
As Crônicas de Palmátria
As Crônicas de Palmátria, de Bandeira Tribuzzi, que inspiram o conteúdo da reportagem de Juliana Vieria, constituem uma obra emblemática da literatura maranhense ao construir, de forma poética e crítica, uma cidade simbólica que dialoga diretamente com São Luís. Palmátria surge como um território imaginário, mas profundamente enraizado na realidade histórica, social e cultural da capital maranhense, funcionando como uma metáfora da cidade, de suas contradições e de seus processos de transformação.
A escrita de Tribuzzi combina lirismo, memória e observação social, revelando um olhar atento às dinâmicas urbanas, às desigualdades e às marcas do tempo na paisagem e nos sujeitos. Suas crônicas transitam entre o cotidiano e o simbólico, entre o real e o imaginado, criando uma narrativa que ao mesmo tempo documenta e reinventa a cidade.
Mais do que retratar um espaço geográfico, Crônicas de Palmátria propõe uma reflexão sobre identidade, pertencimento e modernidade. A obra tensiona passado e presente, tradição e mudança, evidenciando como a cidade é também um espaço de disputas, afetos e narrativas. Nesse sentido, Palmátria não é apenas um lugar fictício, mas um dispositivo literário que permite compreender, de maneira sensível e crítica, a complexidade da experiência urbana maranhense.
A Rádio Híbrida te convida para ouvir essa história. Coloque os fones de ouvido e viva essa experiência!
Sinopse: Embarcamos em um resgate sobre os trabalhos do jornalista e poeta maranhense Bandeira Tribuzzi e suas Crônicas de Palmátria, que reuniram textos líricos em formato de crítica à Ditadura Militar em seus momentos finais na década de 1970. A técnica do áudio binaural é utilizada em alguns momentos de sua produção buscando trazer uma leitura mais próxima do texto de Tribuzzi ao ouvinte. Coloque os fones de ouvido e perceba as diferentes nuances das frequências binaurais numa proposta de imersão jornalística através do som!
Roteiro e Apresentação: Juliana Viera
Sonoplastia: Saylon Sousa