Lançamento | Conheça o podcast documental “Trabalho doméstico: memórias e realidades”
A memória, as desigualdades históricas e as marcas da exploração do trabalho doméstico feminino no Maranhão são o foco do podcast documental “Trabalho doméstico: memórias e realidades”, produzido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da estudante Hemylly da Silva Mendes, do Curso de Comunicação Social – Rádio e TV da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
O trabalho, orientado pela Profa. Dra. Flávia Moura e coorientado pelo Prof. Me. Saylon Sousa, reúne pesquisa, entrevistas e narrativa sonora para discutir a permanência de práticas que configuram condições análogas à escravidão no trabalho doméstico, especialmente entre mulheres negras. A banca examinadora foi composta pelas professoras Flávia de Almeida Moura, Rosinete de Jesus Silva Ferreira e Maria Gislene Carvalho Fonseca, que avaliaram o trabalho desenvolvido ao longo da pesquisa.
Ao integrar pesquisa acadêmica e produção sonora, “Trabalho doméstico: memórias e realidades” evidencia o potencial do podcast documental como instrumento de comunicação pública, preservação da memória e promoção dos direitos humanos. A obra amplia o debate sobre a escravidão contemporânea no Brasil, destacando que, embora muitas dessas práticas permaneçam invisibilizadas, elas continuam presentes no cotidiano de inúmeras mulheres.
Mais do que apresentar dados, o documentário em áudio busca dar visibilidade às histórias e às experiências de mulheres que tiveram suas infâncias interrompidas pelo trabalho precoce, enfrentaram jornadas exaustivas e vivenciaram relações marcadas por desigualdades de raça, gênero e classe. A produção utiliza a linguagem radiofônica para promover reflexão sobre um tema ainda pouco debatido na sociedade brasileira.

Três episódios, três dimensões da exploração
O podcast está dividido em três episódios, que percorrem diferentes aspectos da realidade das trabalhadoras domésticas.
O primeiro episódio, Infâncias Interrompidas, investiga o ingresso precoce de meninas no trabalho doméstico, muitas vezes entre os 8 e 12 anos de idade. Reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como uma das piores formas de trabalho infantil, esse tipo de exploração frequentemente antecede situações de trabalho análogo à escravidão. O episódio convida o público a refletir sobre como a negação do direito à infância, ao estudo e ao lazer impacta profundamente a trajetória dessas mulheres.
No segundo episódio, Rotinas Exaustivas, a narrativa revela como jornadas excessivas, ausência de descanso, férias e outros direitos trabalhistas comprometem não apenas a qualidade de vida, mas também a dignidade das trabalhadoras. A produção evidencia como a informalidade e o isolamento característicos do ambiente doméstico contribuem para ocultar práticas que podem configurar o crime previsto no Artigo 149 do Código Penal Brasileiro.
Encerrando a série, o terceiro episódio, Raça e Gênero, discute por que a maioria das trabalhadoras domésticas no Brasil é composta por mulheres negras. A partir dos relatos das entrevistadas, o episódio analisa como raça e gênero influenciam as relações de trabalho, as formas de tratamento e as experiências de discriminação. Ao dar voz às protagonistas, o documentário reafirma que narrar essas histórias também é um ato de resistência e de transformação social.
O podcast documental “Trabalho doméstico: memórias e realidades” já está disponível no Spotify do GETECOM e também na AUDIAM – Audioteca de Apoio à Mulher.
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