Reportagem | Artigo celebra 10 anos da Rádio Híbrida e destaca a importância da construção de uma memória sonora
Relato de experiência publicado em 2026 recupera a trajetória do projeto, desde sua criação como iniciativa de pesquisa até a consolidação de uma audioteca com cerca de 132 áudios
por Saylon Sousa
Uma década de produção, experimentação e preservação sonora é revisitada no artigo “Por uma Memória Sonora: a trajetória da Rádio Híbrida como espaço de preservação técnica, curadoria e acesso”, publicado em 2026 na Revista Comunicando, da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (Sopcom). Assinado por Saylon Sousa, Rose Ferreira e Carlos Benalves, o trabalho recupera a história da Rádio Híbrida, projeto vinculado ao Grupo de Pesquisa em Estratégias de Comunicação (GPECOM), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
A publicação ganha destaque no ano em que a Rádio Híbrida completa dez anos de presença pública, considerando a disponibilização oficial do site, em 2016. A trajetória, porém, começou antes: o projeto foi concebido a partir de uma pesquisa apoiada pela FAPEMA, com vigência entre 2013 e 2015, inicialmente denominado Projeto Rádio Web Híbrida. A proposta era criar um espaço para circulação e armazenamento de produções acadêmicas de professores, estudantes e técnicos vinculados ao grupo de pesquisa e ao curso de Comunicação Social da UFMA.
Um dos principais resultados dessa trajetória é a criação da Audioteca, seção do site destinada à organização e disponibilização do acervo sonoro. A proposta representa uma mudança na compreensão da própria Rádio Híbrida: mais do que uma plataforma de publicação, ela passa a ser entendida como espaço de curadoria, preservação e acesso público à produção sonora universitária. Audioteca reúne conteúdos classificados em três categorias principais: podcasts, audiolivros e programetes. O levantamento realizado pelos pesquisadores identificou aproximadamente 132 áudios publicados, constituindo um arquivo público de produções relacionadas ao GPECOM e ao Curso de Comunicação Social da UFMA.
Nesse sentido, a Rádio Híbrida funciona simultaneamente como laboratório de experimentação e arquivo de memória. Os conteúdos registram processos de aprendizagem, pesquisas, projetos de extensão e experiências desenvolvidas por diferentes gerações de estudantes e professores.

Página oficial do artigo no site da Revista Comunicando (Fonte: Print/Internet)
Dez anos marcados pela transformação: de projeto experimental a espaço de memória
Ao longo dos anos, a Rádio Híbrida vem acompanhando as transformações das mídias sonoras no ambiente digital. O que começou como uma experiência para investigar as possibilidades do rádio na web passou a incorporar diferentes formatos e linguagens, mantendo o áudio como elemento central. Em 2014, ainda durante sua concepção, foi vencedor do Prêmio Expocom – Projeto de Comunicação Integrada nas etapas Nordeste e Nacional.
Desde 2016, quando estreou oficialmente com a URL www.radiohibrida.ufma.br, o projeto já desenvolveu programas, podcasts, audiolivros, programetes, experiências com áudio binaural e outros produtos relacionados às atividades de ensino, pesquisa e extensão. Em 2026, o catálogo reúne 15 programas, provenientes de pesquisas do GPECOM, projetos de outros grupos de pesquisa dos cursos de Comunicação Social da UFMA e do Mestrado Profissional em Comunicação (PPGCOMPro/UFMA), atividades de extensão e produções realizadas por estudantes em disciplinas.
Entre as produções destacadas pelo artigo estão Listening in English, série educativa produzida pela Linha 1 do GPECOM – Processos Comunicacionais em Multimeios (COMULTI) – baseada em experiências com áudio binaural, e a coleção Especiais Binaurais, que reúne trabalhos produzidos a partir de pesquisas de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso. O acervo inclui ainda audiorreportagens, audiodramas e experiências de audiodescrição binaural.


À esquerda, o professor Carlos Benalves e a bolsista Bárbara Liz duranmte a produção do Listening in English. À direita, os troféus do Prêmio Expocom 2014. (Fotos: Saylon Sousa/ Acervo Pessoal).
A história da plataforma também é marcada por sucessivas mudanças tecnológicas e editoriais. O artigo identifica diferentes versões do site e mostra como sua estrutura foi sendo modificada para responder às necessidades de publicação, organização e acesso ao conteúdo. Em 2019, por exemplo, problemas de segurança comprometeram a primeira versão da página e provocaram a perda dos conteúdos então publicados. Parte do acervo foi preservada por meio de cópias de segurança e da disponibilização em plataformas de streaming, permitindo a reconstrução posterior do projeto.
Desde 2024, a plataforma utiliza uma nova configuração que prioriza a experiência de escuta. A página passou a organizar seu conteúdo principalmente a partir dos menus “Audioteca” e “Multimídia”, reforçando a proposta de integrar som, imagem, texto e outras formas de produção comunicacional. Rose Ferreira, coordenadora e idealizadora do projeto comenta:
A Rádio Híbrida disponibiliza programas, podcasts, entrevistas, peças radiofônicas, experimentos sonoros, gravações de campo e outros formatos que emergem da investigação dos pesquisadores. Estes produtos sonoros, apontam que a manipulação do som não é tratada como um suporte de pesquisa, mas como nosso principal objeto de investigação nos últimos cinco anos. Dessa forma, podemos dizer que existe um valor educativo, arquivístico e histórico ao reunir a produção sonora do grupo e criar uma memória acessível e atualizada fortalecendo as dimensões teóricas e práticas que a pesquisa exige. Por fim, não podemos deixar de mencionar o caráter educomunicativo, que o projeto propõe, visto que a plataforma pode ser utilizada por pesquisadores, professores, alunos e até mesmo no contexto da educação não formal.
Mais do que contar a história de uma plataforma digital, o artigo propõe uma reflexão sobre o papel da universidade na preservação de sua própria produção sonora. A pesquisa mostra que podcasts, programas, entrevistas, experimentações e demais registros podem ultrapassar a condição de produtos comunicacionais e adquirir valor como documentos de uma trajetória acadêmica. Os depoimentos reunidos no estudo apontam a Rádio Híbrida como espaço de aprendizagem, experimentação e construção de portfólio para estudantes, ao mesmo tempo em que contribui para a formação de uma memória coletiva da produção em mídia sonora na UFMA.
Publicado na Revista Comunicando, v. 15, n. 2, em 17 de setembro de 2026, o artigo transforma a própria trajetória da Rádio Híbrida em objeto de reflexão acadêmica. O periódico possui avaliação Qualis A4 para a o quadriênio 2021-2024. Leia a versão completa aqui.
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